Esta semana o " Ainda se lembra de..." "viaja" até ao Brasil, para recordar um nome que poderia muito bem ter sido um dos maiores goleadores de todos os tempos se não fossem fatores externos ao futebol a fazê-lo cair.
Meus caros leitores, hoje,revivemos a história de Adriano...o"Imperador"!
Adriano Leite Ribeiro, nasceu no Rio de Janeiro, no dia 17 de Fevereiro de 1982.
Proveniente da favela Vila Cruzeiro, uma das favelas mais perigosas do Rio, Adriano, iniciou a sua formação nos escalões jovens do Flamengo.
Foi no 'Mengão' que em Fevereiro do ano 2000, Adriano se estreou como profissional com apenas 18 anos. Começou como extremo esquerdo até se fixar em definitivo como ponta de lança.
A sua potência fisica e a sua habilidade foram apenas dois dos muitos atributos de Adriano que começaram a despertar a cobiça de vários clubes na Europa e, mesmo tendo assinando um contrato de duas temporadas com o clube brasileiro, Adriano mudou-se para Milão, onde o Inter conseguiu assegurar os préstimos do jovem jogador para a época 01/02.
A sua estreia pelo clube 'nerazurri', aconteceu num amigável frente ao Real Madrid em pleno Santiago Barnabéu, onde Adriano saltou do banco substituindo Cristian Vieri, deu 'show' e ainda fez o golo da vitória na conversão de um potente e espetacular livre direto.
Contudo, não conseguiu permanecer muito tempo no plantel tendo sido cedido a titulo de empréstimo à Fiorentina. No clube 'Viola', Adriano, esteve presente em 15 jogos marcando 6 golos.
Na época seguinte foi cedido novamente, mas desta vez ao Parma. Foi criada uma co-propriedade entre Inter e Parma de 8,8 milhões de euros, num negócio que também envolveu o central Fábio Cannavaro. Esta e outras situações de co-propriedade é algo existente apenas no futebol italiano.
Fazendo um parênteses para explicar de forma rápida e o mais simplista possível aos meus estimados leitores o que isto significa, a "co-propriedade", é a forma que muitos clubes do Calcio, tratam muitos negócios. Principalmente envolvendo jovens ou jogadores inadaptados ao país ou a uma nova realidade no clube.
Em primeiro lugar o jogador tem que ter no minimo dois anos de contrato para cumprir. Depois o clube que é detentor dos seus direitos quer transferir ou vender os direitos, mas não se quer desfazer completamente do jogador. Ora surge então um clube interessado. Esse mesmo clube adquire 50% do passe e assegura o pagamento dos ordenados do jogador durante um ano e, no final desse ano os dois clubes sentam-se à mesa para negociar os outros 50%.
Mediante o entendimento entre os dois clubes, o primeiro pode manter os seus 50% e ceder o jogador para jogar no segundo. O jogador pode mesmo até ser emprestado a um terceiro clube( pelo segundo) se o primeiro não colocar problemas nessa cedência. Durante esse periodo estipulado de um ou dois anos, pode haver venda definitiva dos direitos do jogador a qualquer clube.
O jogador pode ter os seus direitos divididos por 3 clubes, depois desses dois anos, se houver algum interessado no jogador para além destes 3 clubes, entre eles chegam a um consenso de valor para venda, se não houver interessados, fazem uma espécie de leilão com envelope fechado, quem der mais fica com o jogador. Se houver empate no valor, o jogador permance no clube que jogou na época que terminou.
Voltando em definitivo a Adriano, o brasileiro fez uma época de muita qualidade, onde marcou por 22 vezes em 36 jogos. o romeno Adrian Mutu era o seu colega de ataque.
Na temporada 03/04, Adriano permaneceu no clube 'parmensi'. As suas exibições cada vez mais vistosas e eficientes onde em 13 jogos faturou por 9 ocasiões, o Inter não pensou duas vezes e resgatou-o em Janeiro de 2004.
Nessa mesma temporada, Adriano continuou a mostrar que estava bem e confiante e ainda marcou 12 golos em 18 jogos pelos 'nerazurri'.
Na época 04/05, foi a explosão do ponta de lança brasileiro que se tornou então no "L'Imperatore" de Milão(em alusão ao Imperador romano Adriano).
Foram 32 golos em 44 jogos e muito futebol jogado. Adriano era cada vez mais um avançado temido pelas defensivas contrárias e uma estrela cintilante do futebol europeu.
Por esta altura, o "Imperador", era visto como o sucessor natural de Ronaldo Nazário. O "fenómeno" ia sofrendo várias lesões e intervenções cirúrgicas e começava a ser uma miragem do enorme ponta de lança de classe mundial que havia sido. Principalmente aquelas suas arrancadas características que deixava os adversários bem longe, não existiam mais.
Adriano renovou contrato, passou a auferir 80 mil euros por semana. Naquela altura estava no 'top 5' dos jogadores mais bem pagos do futebol europeu.
Tornou-se bicampeão italiano, estava a ser peça importante na Seleção brasileira e todos os fatores indicavam o "Imperador" como prestes a ser uma referência eterna do futebol brasileiro,da Seleção brasileira e do futebol mundial. Porém, não foi o que aconteceu.
O falecimento de um familiar como um pai ou uma mãe, marca-nos de variadas formas e, foi o que sucedeu com Adriano. A morte do seu pai com apenas 44 anos, levaram o "Imperador" a cair por completo. Uma depressão e problemas relacionados com o Álcool, fizeram com que a carreira tomasse um declínio rápido e acentuado.
Javier Zanetti, disse recentemente numa entrevista, que a sua maior derrota no futebol, foi não ter conseguido ajudar Adriano a superar esta situação.
O ponta de lança brasileiro era querido por todos no Inter e, também por isso, o histórico presidente Massimo Moratti, permitiu que em Novembro de 2007, Adriano se ausentasse para o seu país (duas vezes nos últimos 18 meses), de forma a tentar recuperar em todos os aspetos o jogador, principalmente em termos emocionais.
Mas na verdade, Adriano nunca mais voltou a ser o que foi um dia e que poderia ainda vir a ser.
Nesta sua forma instável devido aos problemas familiares e com o treinador José Mourinho,fizeram os clubes esquecer Adriano. Nomeadamente o Manchester City que publicamente assumiu o interesse em contar com o jogador, mas Moratti não permitiu a sua saída, confiando sempre que regressaria o melhor Adriano.
No entanto, o jogador brasileiro, foi emprestado ao São Paulo até ao final da temporada 07/08, mas a sua postura não agradou por completo aos responsáveis do clube e regressou a Itália antes da data prevista.
Para a época 08/09, Adriano iniciou a temporada em bom plano, alcançou o seu golo 100 na Série A italiana.
Em Dezembro o Inter de Milão permitiu a ausência do jogador para as habituais férias de Natal e, Adriano não compareceu na altura combinada. Depois tantos problemas criados pelo jogador, em Abril de 2009, a rescisão do contrato foi visto como o melhor a fazer pelos responsáveis do Inter.
Depois de 103 jogos,44 golos marcados, 2 Taças de Itália, 3 Supertaças italianas e de ser tetra campeão pelo clube de Milão, o Flamengo anunciava no dia 6 de Maio o regresso de Adriano, com um contrato de apenas uma temporada.
Ele parecia estar melhor, marcava golos, completava 'hat-trick's' e fez uma dupla com Vágner Love, a qual chamavam de "Império do amor".
Essa melhoria levou com que AS Roma no dia 8 de Junho de 2010, rubricasse contrato com o ponta de lança. Assinou um contrato de 3 temporadas, mas permaneceu apenas 7 meses no clube romano.
No dia 25 de Março de 2011 assinou contrato de uma temporada com o Corinthians.
Na temporada seguinte regressou ao Flamengo, também por uma temporada.
Em 2013, teve uma curtíssima passagem pelo Atletico Paranaense onde fez apenas 4 jogos.
Passado um ano e dez meses, Adriano voltou a jogar. Em Janeiro de 2016, o avançado brasileiro foi jogar para a Flórida, Estados Unidos, mais propriamente para o Miami United FC, um clube semi-profissional criado em 2012, que milita na National Premier Soccer League (NPSL), uma espécie de 4° divisão do futebol daquele país. Para além disso, comprou 40% do clube.
O Miami ficou com alguma reputação internacional desde que o "Imperador" foi parte integrante do clube. O brasileiro Cafú, antigo lateral do Milan e grande capitão da canarinha, é embaixador do clube. Os 'Jerseys', estão agora a procurar criar uma parceria com David Beckham, e têm tentado convencer, Juan Román Riquelme a ingressar no Miami.
Adriano, disse recentemente que em 2018 irá voltar aos relvados, veremos em que estado se encontra e por quanto conseguirá manter-se fiel ao futebol. Com 35 anos atualmente e com um passado recente bastante sedentário, não se projeta nada fácil esse regresso.
Na canarinha, Adriano, também tratado como 'Didico' pelos colegas na Seleção, foi parte integrante e importante do famoso quarteto fantástico ao lado de Ronaldo, Kaká e Ronaldinho Gaúcho.
Marcou presença em 50 jogos e marcou 29 golos pelo Brasil.
Os números totais da sua carreira mostram apenas 418 jogos e 205 golos.
Em termos de caracteristicas, Adriano tinha um pé esquerdo fortíssimo. Porventura o jogador que eu ja vi com a maior potência de remate. Parecido com ele só mesmo Hulk Paraíba.
O "Imperador" tinha tudo. Velocidade, poder fisico, fortes e impressionantes arrancadas. Era um jogador moderno, que juntava a energia e a força fisica a uma capacidade técnica de alto nível. Este canhoto tinha um excelente controlo de bola e grande criatividade.
Elenera extremamente poderoso no um contra um e fazia golos de qualquer lado, quando digo em qualquer lado, era assim mesmo! Adriano com o seu pé esquerdo potente fazia golos do meio da rua, descaido nas laterais ou na zona central. Só precisava de um pouco de espaço pra puxar a "culatra" e com a bola na direção da baliza era golo quase pela certa.
A bola parada era outro ponto extremamente relevante da categoria do brasileiro. Não tivesse sido esse o cartão de visita de Adriano logo no primeiro jogo na Europa.
#Curiosidade: A alcunha de Imperador surgiu em 2004 porque Adriano conquistou pela Seleção brasileira a Copa América mais tarde a Taça das Confederações, e foi considerado o melhor jogador e nelhor marcador de ambas as competições. No mesmo ano, venceu Seria A, a Taça de Itália e a Supertaça italiana.
A alcunha de Imperador, foi dada pela massa adepta do Inter de Milão. Adriano foi um marcante Imperador romano que reinou no ano de 117 a 138. Fez parte da dinastia dos Antoninos, e foi considerado um dos "cinco bons imperadores".
São inúmeros os jogadores que lamentam profundamente o desfecho da carreira de Adriano. Zlatan Ibrahimovic, o avançado de classe mundial do Manchester United, disse mesmo que Adriano foi o melhor jogador com quem jogou. Zlatan classificou Adriano como "animal", que "podia finalizar de qualquer posição, ninguém podia pará-lo, ninguém podia tirar a bola dele. Era um verdadeiro animal, mas durou pouco tempo."
Eu escolhi o "Imperador" para a rubrica desta semana, porque ele merece este tributo.
Não tenho dúvidas de que Adriano poderia ter sido dos melhores ponta de lança de todos os tempos. Tinha todas as condições e muitos anos para jogar ao mais alto nível e mostrar isso mesmo.
Certamente que ele estaria hoje nos maiores atacantes da história da Seleção e do futebol brasileiro, de forma mais clara do que efetivamente está.
Adriano mesmo com poucos jogos comparativamente a outros jogadores, deixou a sua marca e criou uma reputação no futebol mundial.
Quando pensamos nele, à ideia, vem logo a sua forma poderosa e possante com que conduzia a bola e rematava de forma potente sem pedir licença.
Adriano, será para sempre um Imperador sem trono que tinha muito para herdar no futebol mundial.
A Bola É De Todos

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