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Ainda se lembra de... Juan Román Riquelme




Esta semana a rubrica " Ainda se lembra de..." está de visita ao país das pampas (Argentina), onde traz as recordações de um magnífico jogador, com caracteristicas cada vez mais em extinção no mundo do futebol, falo-vos de, 'El Torero'...Juan Riquelme!

Juan Román Riquelme nasceu no dia 24 de Junho 1978 em San Fernando,uma província de Buenos Aires.
Em 1992 começou a jogar futebol nos Argentinos Juniors, um clube que tem uma famosa escola de talentos a que dão o nome de " The Cradle of The Stars".
Poucas pessoas sabem, mas a Associação Atletica Argentinos Juniors contibuiu bastante para o sucesso do futebol naquele país. Foi lá que nasceram grandes nomes do futebol argentino e mundial como: Diego Armando Maradona, Fernando Redondo, Claudio Borghi, Esteban Cambiasso, Pablo Sorín e Juan Román Riquelme.

As suas qualidades despertaram vários clubes entre eles o River Plate. Perante a recusa de Riquelme em jogar nos 'Millonarios' sendo ele um adepto incondicional dos 'Azul y Oro', o Boca procurou um entendimento com os Argentinos para a transferência do jovem craque.
Román cumpriu o sonho e com 17 anos chegou à La Bombonera.
Apartir desse momento começou a ser escrita a história de uma lenda do Boca Juniors.
Román Riquelme permanceu durante seis temporadas no Boca onde esteve sempre ao mais alto nível. Em 1998 venceu o Clausura. No ano 2000 conseguia vencer Taça da Libertadores e em Dezembro do mesmo ano Riquelme e companhia venceram o Campeão Europeu Real Madrid e sagraram-se Campeões do Mundo de clubes. Em 2001 iria repetir a proeza de vencer novamente a Libertadores.
Román Riquelme era por esta altura um jogador de eexcelência. Tinha um futebol elegante, inteligente,imprevisivel e foi isso e muito mais que fez com que o Barcelona pagasse 25 milhões de euros para o contratar.
Com tanta qualidade previa-se um futuro enorme na Europa, mas não foi o que aconteceu.
Naquela altura, o Barça era treinado por Van Gaal que colocava insistentemente Riquelme a jogar descaido no corredor. Ora, um "10" puro como era o argentino, obviamente que não conseguia exprimir todo o seu futebol a jogar numa posição que lhe tirava o protagonismo, importância e a influência que o próprio tanto gostava de ter no jogo.
Nessa altura teve um problema familiar que também o prejudicou. O seu irmão tinha sido sequestrado e isso obviamente também teve a sua influência para não ter o rendimento desejado.
Foi então que surgiu o Villarreal no seu horizonte. O "Submarino Amarelo" não era ainda uma equipa com uma reputação elevada como mais tarde viria a ser com a ajuda de Riquelme e do uruguaio Diego Forlan.
Ambos ajudaram o Villareal atingir o inédito e histórico terceiro lugar em La Liga, assim como alcançaram as meias-finais fa Champions League.
Recusou integrar o Manchester United em 2006 e acabou por deixar o(na altura) El Madrigal em Fevereiro de 2007, devido a alguns problemas com Manuel Pellegrini, para regressar por empréstimo ao clube do seu coração, o Boca.
Em apenas 6 meses, Riquelme mostrou novamente toda a sua inegável qualidade e ajudou o Boca Juniors a vencer mais uma Libertadores.
Após o empréstimo regressou ao Villarreal mas o ambiente estava desgastado com o treinador que mostrava claramente que não contava com o jogador. Nesse efeito, Riquelme pediu para sair e não tinha problemas em diminuir o seu vencimento para integrar o Boca a título definitivo.
Em Janeiro de 2008, Riquelme estava de regresso ao La Bombonera para ficar.
Em 2012 o jogador decidiu colocar um ponto final na carreira. Com o passar do tempo, foi sendo assediado por clubes brasileiros e mexicanos, mas 7 meses depois de pendurar as chuteiras,voltou atrás na decisão e regressou ao Boca.
Em Julho de 2014 decidiu jogar na equipa onde o sonho começou. Assinou um contrato de 18 meses com Argentinos Juniors.
Em 2015 colocava em definitivo um ponto final na carreira de futebolista.


Em termos de Seleção, Román Riquelme venceu os Jogos Olimpicos de Pequim onde era um dos três jogadores acima da idade. Liderou a equipa no Mundial de 2006, onde era a cara da Argentina.
Vestiu ' A Alviceleste' por 51 ocasiões, marcando 17 golos.


No total da sua carreira, Juan Román Riquelme esteve presente em 641 jogos e faturou por 164 vezes.


As suas características eram especiais. Riquelme era um "10" puro. Era o que chamamos de maestro. Daqueles jogadores que jogam entre o miolo e o homem mais avançado. Com capacidade de decidir o jogo. Riquelme é aquele jogador que há uns anos atrás, quem vestisse a camisola "10" era o melhor jogador da equipa.
Foi criticado por muitos, que o acusavam de não ter "andamento" para o futebol europeu, onde diziam que era um jogador lento e não ajudava nas tarefas defensivas. De fato o argentino não era, nem nunca foi um jogador rápido, mas tinha outros predicados que faziam com que esses "defeitos" fossem facilmente esquecidos.
Sempre ouvi dizer que, quem corre é a bola, não o jogador e ele fazia jus a isso mesmo. Riquelme "parava" para pensar o jogo e fazia os outros jogar.
Foi um jogador que mostrou sempre uma grande elegância. Tinha um controlo de bola de excelência, mantinha a bola em seu poder como se tivesse ciumes de a partilhar. Tinha uma enorme qualidade e eficácia no passe curto ou longo. Era dono de um excelente drible, assim como também era um "senhor" na finalização. Na conversão de livres diretos era era exímio e nunca perdeu o hábito de beijar a bola antes da marcação da bola parada.
Não é qualquer jogador que sabe ser um "10". Aliás, para jogar nesta posição só alguém que tem a pureza do futebol dentro de si. Olhando para o passado dos "camisola 10" argentinos, são a classe e a categoria em todo o seu esplendor. Maradona, Gallardo, Ariel Ortega, Pablo Aimar, Riquelme e agora Lionel Messi, são alguns dos nomes que nos fizeram desfrutar de momentos únicos no futebol internacional.


#curiosidade: Durante a sua estadia no Villarreal, Riquelme teve um tratamento diferenciado. Era o único jogador, que podia treinar com aparelhos nos ouvidos, o estacionamento dele era o lugar mais perto da entrada das instalações e a pressão das bolas de treino era ditada pelo jogador argentino.


Eu escolhi Juan Román Riquelme porque mesmo sem estar no futebol Europeu durante muito tempo, ele tornou-se uma referência,foi 'Rey' no Villarreal e para além disso, tornou-se uma lenda do Boca Juniors como Diego Maradona.
Este tipo de "10" está em extinção e não haverá muitos mais deste nivel futebolístico. Principalmente depois das alterações tática ditadas pela evolução do futebol.
Foi um jogador de um temperamento dificil, é verdade,mas, também foi um verdadeiro líder. Há mesmo quem diga que ele era mais respeitado do que o presidente do Boca.
Não é pelos títulos que vamos recordá-lo, mas é pelos momentos de grande categoria que nos fez vibrar.
E mesmo com um semblante quase sempre carregado e cabisbaixo, tinha um dom. Um talento puro que fez jus ao número que tinha nas costas. Um craque, um génio, um jogador fenomenal, onde todos estes adjetivos são curtos para tamanha categoria e classe que espalhava por onde passava.
Juan Román Riquelme, o craque que beijava a bola e que dizem que foi o último "10" clássico da história do futebol mundial.




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